Amy, a Heleninha Roitman do século 21 Nova top-bebum se inspira no Rei e veta biografia não-autorizada
Você não lembra quem matou Odete Roitman, mas já ouviu falar da sua filha problemática: a top-bebum Heleninha, interpretada por Renata Sorrah na novela global Vale Tudo. E assim como Gretchen passou o trono de rainha do bumbum para uma dançarina moça de família - a “ex-mulher melancia” (?!) - a etílica personagem do folhetim oitentista ganhou uma rival à altura: Amy-Jade Winehouse, 24 anos de bar.
Ela é feia, sexy e junkie. Genuinamente porra-louca. Chegou para dar um basta na era das princesinhas pseudo-virgens e pré-adolescentes de dentes brancos e cabelos alisados no topo das paradas musicais. A cantora retrô-encrequeira mistura (entre outras cositas más) R&B, hip-hop e soul dos anos 60 como ninguém.
Inspirada no rei do TOC (Transtornos Obsessivos-Compulsivos), Roberto Carlos, a cantora disse "no, no, no" para sua biografia não-autorizada. Ela quer que todos os exemplares do livro "The Amy Winehouse story" sejam retirados das livrarias.
No vídeo abaixo, mais uma humilde homenagem àqueles que sabem que beber vinho branco vagabundo dá dor de cabeça e prosecco em casamentos é eufemismo para "meu sogro não quis pagar champanhe francês". Para ver o vídeo de momentinhos sem glamour de gatinhas que ainda insistem em beber de estômago vazio, clique na seta do meio.
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Escrito por JULIA ALVES RIBEIRO null em 08/03/2008
Curiosades sobre esse fenômeno glúteo-antropológico
Vai se mudar para Louisiana (EUA)? Não esqueça de levar na mala, calças baggy, semi-baggy, suspensórios-retrô e cintos tressê marrom. Sabe por quê? O prefeito da cidade de Cajun assinou uma lei que pune com prisão e multa de U$ 500 quem pagar cofrinho ("buttcrack") em vias públicas.No Brasil, o cofre é uma prática legalizada e já ganhou homenagens de consagrados artistas da MPB: "Cofre" (Ivan Lins), "Cofre de seda" (Simone) e "Arrombou o cofre" (Rita Lee).
Confira: Pagando Cofre - o filme. Produzido, roterizado, dirigido e editado por Dona Julha. Uma humilde homenagem - versão Beta - para quem pagou, paga ou ainda pagará cofre. Participação especial de Gisele Bündchen e trilha sonora de Caju & Castanha.
Homem-flicts: a antítese do príncipe encantado Ele adora rodízio de salgados e acha Chico Buarque um porre
Flicts não é cru, nem bege. É aquela cor-de-burro-quando-foge.
O homem-flicts, em vez do cavalo branco, aparece de Chevette dourado emprestada do bisavô ou com uma mini-van 800 cilindradas a gás do vizinho. Com o possante ele te leva para aquele shopping cheio de rampas íngremes. O carro – sem seguro e ar-condionado - morre e bate na pick-up que subia logo atrás. Mais emocionante que montanha russa e totalmente grátis.
Eles deixam as mulheres à beira de um ataque de nervos. O que não pode faltar no homem-flicts? Opine nos comentários!
Aliás, gratuidade é uma palavra importante no vocabulário do homem-flicts. Ele mora com a mãe e guarda 90% do salário todo mês. Só abre a mão para tunar o carro. Ou seja, comprar coisas que vão te envergonhar na frente dos outros. Leia-se: luzes verdes fosforescentes e qualquer acessório enorme, prateado e brilhante. Caixas de som gigantescas no porta-malas também costumam agradar. Afinal, ele não precisa de um lugar para guardar bagagem porque detesta viajar.
Todo mundo acha cinema a maior diversão. Eles preferem Telecine Action no sábado à noite.
Apesar da ostentação brega-automobilística, não dispensa um aromatizador de ambientes extra-forte pendurado no vidro. No final do ano pretende parcelar em 12 vezes uma viagem para a Disney. O homem-flicts (ainda) está magoado com os pais porque não viajou de excursão com a Stela Barros. Vale ressaltar que esse sonho não poderá ser realizado. Não, a vovó de pochete não morreu, mas declarou auto-falência da firma.
Mas é quando decidem gastar os 10% restantes do salário que os problemas começam. Não gostam de teatro, nem shows que custem mais de R$ 10. Não bebem vinho e desconhecem saquê. Lógico, até porque odeiam comida japonesa e fazem questão de frisar o nojo por “comida crua”.
Boa pinta, sarado e rico. Cuidado: ele também pode ser um homem-flicts
Apesar da barba na cara, o homem-flicts adora os biscoitos Cebolitos e Cheetos. E faz questão de comê-los até a último o farelo chupando os dedos minuciosamente. O grand finale fica com a limpeza das mãos disfarçadamente na roupa. Nem ouse oferecer brie com damasco ou carpaccio com pêra. Ou é doce ou salgado. Maniqueísta assim. De preferência, bem salgado e gorduroso.
O único programa que une a quase-gratuidade com o paladar-ogro é um rodízio de petiscos. Por cerca de R$ 10 é possível comer bolinhas de queijo frias, bolinho de bacalhau sabor batata e provolone à milanesa com torresmo. Além de outros 27 tipos de quitutes com validade indeterminada. Apesar de passar mal depois, ele insiste que “vale muito a pena”.
Escuta dance-music mesmo fora da balada e acha Chico Buarque um porre. Na TV, intercala a final de luta-livre com Zorra Total e novela das 20h. Acha livro uma coisa pesada, empoeirada e démodé. Não tem personalidade, não sabe puxar papo, não ri de si mesmo. Se acha um gênio incompreendido e culpa o mundo pelo seu fracasso. Ele não tem amigos de infância, só best-friends de Orkut.
Todos nós somos um pouco Flicts. Algumas mulheres se recusam a aceitar e esperam o príncipe encantado.
Ele não é isso, nem aquilo, parodiando Cecília Meireles em outro clássico da literatura infantil. Assim como a cor criada por Ziraldo, o homem-flicts também procura seu lugar no mundo: “Não tinha a força do Vermelho, não tinha a imensidão do Amarelo, nem a paz que tem o Azul. Era apenas o frágil e feio e aflito Flicts”, resume o cartunista.
Nota pé: O homem-flicts é um personagem ficcional. Qualquer semelhança com a vida real terá sido mera coincidência.
Escrito por JULIA ALVES RIBEIRO null em 28/07/2007
Aqui jaz o cigarrinho de chocolate Saudosa guloseima mudou de rótulo antes de ser retirada das prateleiras. Dinheiro comestível será o próximo hit da gastronomia infanto-juvenil?
Em 1937, eram fabricados charutos de chocolate Foto: Chocolate Pan
Eu comi dinheiro. Foram duas notas de R$ 50. O paladar é duvidoso e o gosto de parafina. No pacote, R$ 177 comprados por R$ 4,99. Matemática não é o meu forte, mas acho que fiz bom negócio. A aposta do fabricante seria uma tentativa de alcançar o sucesso dos cigarrinhos de chocolate politicamente incorretos dos anos 80?
Crianças pós-modernas comem dinheiro. Sinais do apocalipse? Foto: Grinx
Aposto que o “Dinheiro de chocolate ao leite” não chegará a se tornar um clássico. Afinal, nada se compara ao ritual de acender um cigarro com isqueiros imaginários e tirar onda de adulto. Você quer saber o triste destino dos inocentes cigarrinhos? Foram marginalizados por algum antitabagista extremista e passaram a ser chamados de “Rolinhos de chocolate”. Branquearam o menino-propaganda e ainda tiraram o bagulho de cacau da suas mãos. Quase anônimo, o cigarrinho encalhou nas prateleiras.
Um processo causou o enterro definitivo do clássico
Com a embalagem careta e o fracasso nas vendas, a retirada do mercado foi inevitável. “Atualmente a Pan produz somente o CHOCOLÁPIS”, anuncia o site da primeira fábrica de chocolates do Brasil. Nele, um estagiário competente fez questão de preservar a memória da saudosa guloseima:
“Há 65 anos, s PAN lançava os famosos cigarrinhos de chocolate... e você se lembra tão bem daquela doce sensação de prazer e ansiedade ao desembrulhar um cigarrinho de chocolate”. Não foram encontrados registros da data de fabricação do último lote. Pois é, acabou-se o que era doce.
Ao lembrar dessa gostosura pseudo-ilícita, desencavei uma fofoca bombástica que agitou os recreios dos colégios nos anos 90: Encontraram cocaína no frumelo de morango! As crianças comiam pacotes e pacotes, mas acabavam - no máximo - com overdose de cáries. Chega de memórias empoeiradas por hoje. Já vi trintona que começa comprando almanaque dos anos 80 e termina dançando Plunct Plact Zoom dando mole para o sósia do Bozo em festa na Lapa.
Anotem: nostalgia em excesso faz mal à saúde. Relembre dessas drogas com moderação.
Off-line, graças a Deus Cuidado: neurose midiática à vista
Lembre-se que na década passada usar Internet era exclusividade para antenados em novas tecnologias, ou seja, os famosos nerds. Falar ao celular era regalia para executivos que desfilavam pelo centro da cidade com o clássico tijolão Motorola. Estará na hora de inaugurar um museu para peças como: walkman, walktalk, fax, pager, câmera de filmar analógica e toca-fitas? Acho que não. Os dinossauros tecnológicos ainda são recentes demais para ganharem status de ícones cult-retrô e já não valem mais um parcelamento em 12 vezes nas Casas Bahia.
Em 2016 o que será démodé? Façam suas apostas. Vovós usarão Ipods sob o olhar repressor dos netos? Vamos lá, admita que você não sabe programar o vídeo cassete (sim, ele ainda sobrevive!) e/ou só usa o microondas para fazer pipoca. Tem também os que não conhecem um quinto das funções dos celulares e ainda tem dificuldade com a máquina digital. Ficam no feijão com arroz: “Geeeeeeeente junta aí!”.
Detesto o carão pseudo-blasé de quem não se surpreende com as novidades. Eu, com menos de trinta anos, fruto de uma adolescência híbrida entre o analógico e digital, ainda me espanto com qualquer bobagem. Fico surpresa, por exemplo, com a proliferação de controles remotos pela casa. Já vi no camelô um tal de controle universal: “5 em 1... mas não é só isso”, grita o vendedor. “Ele manda até na sua mulher!” Depois da piada machista sem graça, coloquei R$ 10 reais de volta no bolso. Acho que apenas no quesito avalanche de controles remotos, minha casa se parece com a família Jetsons, desenho futurista da nostálgica década de 80.
George, Jane, Judy e Elroy Jetson, além da lendária Rose se comunicavam através de visores com imagem e som espalhados pela casa. Resgatei a imagem dessa família-símbolo da pós-modernidade, quando dentro do meu Gmail surgiu, meses atrás, uma caixa de conversa. Aliás, caixa de conversa foi péssimo. Explico: um “serviço” de mensagens instantâneas do todo-poderoso Google que traz tanto o chat tradicional, quanto chat com voz. Para quem é da época do ICQ e seu irritante “oh-ow”, foi um choque. Peraí, ou é e-mail ou é Messenger. Essa coisa de sinergia virtual me causa ainda um certo tumulto mental. Pelo menos, para mim, aos 24 anos. Não sei o que uma menina de quatorze pensaria. Mas aposto que diria algo monosilábico como: “Que irado!”.
Assim como o Msn, no Google-Talk você pode colocar “Busy”, apesar de todo mundo saber que é de mentirinha. Aliás, se definir como “ausente” ou “volto já” são ótimos recurso para espantar malas, carentes virtuais (“Você não pode enviar Toques com tanta freqüência”), contatinhos ultrapassados, etc... principalmente os que começam a frase com “E aí, tá sumida heim!”. Horas e horas se perdem em bate-papos superficiais, descartáveis. Queria lançar a campanha: “Saia do Msn e vá ler um livro!”. Quanto mais tempo se gasta em blá-blá-blás infinitos, menos tempo se dedica à leitura, à redação, ao chopp com os amigos. Desculpem o maniqueísmo ranzinza da constatação, mas aqui só estou colocando os contras da ferramenta.
Paradoxalmente, para "otimizar" (arght...) o tempo, a parafernália tecnológica aumenta, porém ficamos cada vez mais ocupados. Sem ar na avalanche de interatividade. Tempo é mais que dinheiro, é uma preciosidade. Não basta acessar compulsivamente o Orkut, fotolog, blog, Myspace e Youtube, temos que estar “on line” o tempo todo. Dentro do e-mail, no celular, sei lá mais aonde vão inventar. Ainda bem que não criaram o chopp virtual. Você anda “busy” para o ócio? A opção é simples: Off-line. Ufa...
Minha história com o Orkut é uma novela. Sai, xinguei, voltei e fiz as pazes. É preciso ter coragem para responder sem hesitar: "Você tem certeza que deseja excluir essa conta para sempre?" Decisão tomada, rasga-se o passaporte para o mundinho onde desfilam alter-egos, egos-inflados e mais toda a apostila de psicologia I. Adeus ao circo virtual de exibicionismo, ao freak show espalhado pelos álbuns de foto e a novela mexicana nos scrapbooks.
O Google vai dominar o mundo? Opine nos comentários!
“Como diz um amigo, o Orkut é uma 'grande Tijuca' - todos têm carro zero na garagem, canudo de MBA debaixo do braço, famílias aparentemente felizes, mas há mil esqueletos guardados no armário, prontos para desabar...todo mundo é feliz, lindo, realizado... Mais fake, impossível”, disparou Bruno Rodrigues, autor do livro Webwriting.
Para alegria de Orkut Büyükkokten, criador do site, enquanto poucos corajosos dizem adeus, as telas azuis continuam se proliferando em terras tupiniquins. O Google vai enviar (ou já enviou) para o Brasil uma comitiva de nerds para verificar in loco o case de sucesso.
“Essa revolução está para se processar, não no mundo exterior, mas na alma e na carne dos seres humanos”. Profetizou Huxley
Neurose midiática à parte, o Orkut é uma experiência antropológica que (ainda) vale a pena. Apesar dos contras, o site de relacionamentos tem prós inegáveis. Do slogan pseudo-despretensioso “Quem você conhece?” emerge uma nova forma de socialibidade. Pode ser o equivalente a uma passadinha no Baixo Gávea sem sair de casa.
Esse aqui é o tal de brog que a Dona Julha vive falando. Minha patroa é jornalista e me pagou um curso de informática em Copacabana. Quando estiver de folga, vou pegar uns textos e rascunhos dela e colocar aqui procês.