Blog da dona Julha
  27/06/2006


Caps Lock: use com moderação
Dicas de Eco e Calvino para não virar “genTi ki IskREvI AxIM”


Regras aprendidas com Umberto Eco: cuidado exemplar com os adjetivos, parcimônia com ironias e cuidado com o suspense criado pelas reticências. Ele é panfletário também da eliminação da exclamação. Em “Como fazer uma tese”, de 172 páginas, usa apenas duas.

Percebi que o uso displicente desse recurso em textos corresponde à tecla Caps Lock em conversas através de chats ou e-mails. De acordo com manual de etiqueta da Internet, seu uso equivale a falar gritando. Se o que escrevemos é inteligente não é necessário GRITAR!!!!!!!!!!!!. Assim como em uma discussão conjugal quem fala baixo, ganha credibilidade nos argumentos. Quem grita parece descontrolado e sem razão, não é?


Não GRITE com seu leitor, evite o Caps Lock.

O próprio livro de Eco é um exemplo de que é possível escrever um texto leve e com conteúdo, sem a sisudez da linguagem acadêmica (muitas vezes entediante e sonolenta). Por falar em leveza, impossível não citar Ítalo Calvino. Em "Seis propostas para o novo milênio" dá dicas sobre o texto escrito, mas esbarra sem querer no universo internético.

A importância da leveza e a “capacidade de fazer cócegas no leitor” são dicas que caem como uma luva para webwriting, em que o texto é apenas um dos elementos no ambiente web. Fisgar o leitor e não deixá-lo “aumentar o rádio”, ou seja, prender a atenção do usuário. Objetivo que é desafio-mor para quem produz conteúdo na Internet, um ambiente dispersivo e cercado de “concorrentes” (banners publicitários e uma profusão de links e pop-ups)


Faça cócegas no leitor antes que ele ache seu texto entediante

Mas afinal, quais as qualidades que o texto precisa ter para contemplar o homem do século. XXI? Calvino responde: leveza, rapidez e exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência“. Professor da Puc-Rio, Fernando Sá, pinçou a frase de Paul Valery que sintetiza a idéia: “Que o texto seja leve como um pássaro e não como um pluma.” Esse se tornou meu mantra. Se você também não quer virar “genTi ki IskREvI AxIM” pode (e deve) rouba-lo.


A primeira charge que ilustra o post é de autoria de Liberati
Escrito por JULIA ALVES RIBEIRO null em 27/06/2006
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  04/06/2006
O indefectível conjunto de moletom cinza
As verdades da estação que não é a cara do Rio



Quando o fondue de queijo vira misto quente e o de carne picadinho, o inverno chegou! Diante de cenas como essa, penso como é difícil ser chique quando os termômetros marcam abaixo de 20 graus. Quem não possui residência de campo em Itaipava que se contente em ficar em casa de moletom velho e meia-furada. As mulheres ficam com preguiça de se depilar, desistem do pedicure e o rosto fica com uma tonalidade bege leventemente esverdeada.

Os meninos se sentem desestimulados para malhar, afinal, "falta muito para o verão". O abadá-regata laranja fosforescente, que é brega em todas as estações, vira um atentado ao pudor no frio. Aliás, no inverno, até os micareteiros decidem namorar. Ficar solteiro no verão é uma maravilha. Agora, encarar o longo e tenebroso inverno alone é caído. Então, segura seu bofe ou desce o cobertor quadriculado empoeirado do armário.

A moda-inverno é cara. Não dá para disfarçar que seu armário é um lixo. No verão, bronzeada e magra, tudo cai bem. No inverno complica. É bota, casado de couro, cachecol, suéter, poncho, gola role....arf! As "tendências" vêm e vão e você permanece com seu fiel casaco de moletom cinza manchado de água sanitária. Citamos a peça que é o símbolo da falta de glamour no inverno. É um suicídio fashion, que consegue superar pochete, suspensório e colete juntos. Pior que mocassim de bolinha no forró e cueca bege velha frouxa.


Porque o “filho do dono” da confecção inventa posar de modelo?

Gancho um palmo sobrando, elástico grosso apertando o tornozelo, cintura acima do umbigo e gola alta te sufocando. Atenção: se você tiver um conjuntinho e a parte superior ainda possuir bordado colorido ou transfer o caso é grave, gravíssimo. Eu sei que alguma tia sua já comprou um na feirinha de Teresópolis para “ficar quentinho no inverno”, porém se você tiver mais de 13 anos, vai parecer que acabou de fugir do hospital psiquiátrico. Vai por mim. É impossível ficar sexy em um moletom cinza. Ok, com o azul marinho também fica difícil. Abro uma exceção para a protagonista de Flash Dance em 83. Isso porque ela cortou a gola sufocadora e não usava nada além dele, no máximo uma polaina.


Diga adeus ao seu velho moletom cinza nesse inverno!

Como parecer chique no queijos e vinhos bebendo uma garrafa de R$ 12,90 na promoção e comendo parmesão? O verão é mais relax. Com havaiana no pé e uma caixa de cerveja você está feliz. Vai fazer isso no inverno... seu fim de noite poderá ser numa emergência. Se der sorte, o médico residente vai com a sua cara e indica uma máscara de oxigênio puro para te dar uma onda de leve euforia. Se ele disser “o quadro não requer oxigênio”, você diz que esqueceu de comentar que sofre de asma gravíssima desde a infância e mal consegue respirar nesse momento. Voilá!



Aurélio assume que moletom é tosco e usa assim mesmo!
Escrito por JULIA ALVES RIBEIRO null em 04/06/2006
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  30/05/2006
Maria Madelena e Jesus: é namoro ou amizade?


Se “quando Deus te desenhou ele tava namorando”, qual o problema de Jesus ter se casado, namorado ou ficado com Maria Madalena? O refrão do Jack Johson tupiniquim Armandinho deixa claro que até Deus tinha uma namorada e a igreja católica não proibiu os fieis de cantarem o refrão pecador, nem boicotaram o CD. Será que o cantor-surfista é o novo Leoni e está fadado a ser um cantor one hit wonder com infinitas versões remix?

Porém, meu questionamento filosófico-existencial está focado na vida amorosa de Jesus. Vi o filme Código da Vinci e saí encucada com algo a mais que o mulet de Tom Hanks. Qual é o problema de Jesus ter dado uns pegas em Maria Madelena? Afinal, ele era popular, comunicativo, extrovertido e segundo testemunhos da época bem gatinho. Além de gente boa, alías, muuuuuuuuuuuuito boa.

arte: julia ribeiro

Composite de Jesus no Google

Carismático, atencioso, dedicado, sincero, fiel, sensível, inteligente, articulado... enfim, o namorado perfeito! Jesus era cercado por groupies pré-históricas, a concorrência era grande. O fato é: ele não perde a divindade pelo fato de (talvez) ter tido uma ou várias mulheres. Jesus não fez voto de castidade, lembrem-se. Tudo bem que ele tinha como rotina básica salvar a humanidade. Mas com boa vontade dava para encaixar na agenda lotada um encontro com uma de suas seguidoras. Jesus era festeiro também. Quando faltou birita na festa e as lojas de conveniência de Jerusalém estavam fechadas... ele transformou água em vinho!


Groupie pré-histórica famosa: Maria Madalena

Mas continuo encucada: porque se preocuparam tanto em esconder esse possível namorico? Tiveram até que transformar Maria Madalena numa profissional do sexo para desmentir a fofoca! Curiosamente, a Igreja Católica não teve tanto cuidado em esconder a queima de mulheres, sob a acusação de bruxaria. Do século 13 ao 17, o medo de feiticeiras se espalhou pela Europa. Detalhe curioso: como as parteiras-“bruxas” estavam roubando o emprego dos doutores obstetras, foi resolvida a concorrência: fogo nelas! Fato verídico relatado no livro “A história das mulheres médicas”.

Historiadores comprovam que de 1484 a 1782, a Igreja cristã condenou à morte cerca de 300 mil mulheres acusadas de bruxaria. Qualquer uma um pouco mais moderninha ia para a fogueira. Não precisava voar de vassoura, bastava ter opinião diferente do marido, gargalhar mais alto, usar roupas fora do padrão convencional ou ser atuante na sociedade fora do ambiente doméstico. Nossa, estou cercada de bruxas por todos os lados... ainda bem!


Veja mais: Jesus will survive!
Escrito por JULIA ALVES RIBEIRO null em 30/05/2006
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  18/05/2006
Ai, ai, ai, isso ai é irreversível...
Prêmio Multishow de Música Brasileira revela os bambas



Ele tentou na Barra, mas lá não se fazem churrascos como em Xerém. O síndico do prédio não ia gostar da galhofa. Gente fina fala baixo, come pouco, bebe água mineral com gás e não gosta de samba. Pois é, gente ruim da cabeça e doente do pé. Terça-feira no 13º prêmio Multishow, Zeca Pagodinho, de terno de cetim, mostrou porque é bamba. “Sempre fui rico. Tenho amigos, me dou bem com todo mundo, tô sempre de bermudão”. Verdade do homenageado que saiu do palco com a mão no coração. Ao lado de outros bambas do samba a emoção transbordou.

Outra verdade da noite: “É preciso deixar a vaidade de lado, porque a musica é maior do que isso”. Falou Ana Carolina, que levou o prêmio de melhor cantora. Não adianta TOP TVZ, nem Disk MTV. O Brasil é a cara do Zeca. Pode tocar hip hop, rap e rock. Mas quando a festa é boa, acaba mesmo é com um pagodão! Churrasco sem pagode? Não dá. Não há lounge que agüente. Peço desculpas aos Dj’s modernetes que acham que drum’n’bass combina com coração de galinha, arroz frio e molho vinagrete.

Dizem que o prêmio Multishow é democrático, porque os vencedores são escolhidos pelos telespectadores, através da internet. Discordo. Sempre ganha quem tem mais fãs-nerds desocupados. O que torna a democracia relativa. Tem escolhas que são irreversíveis. Por exemplo, Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, ganhar de Lulu Santos como melhor cantor, é piada. Nem ele acreditou. Imagine se fã de Lulu ia perder tempo votando via web. Eu já fui em uns dez shows do cara e não cliquei nem uma vez. Shows inesquecíveis no Claro Hall quando ainda se chamava Metropolitam. - Lembram que tinha um clip de próximas atrações? Deixa pra lá - Pelo menos não foi Junior que ganhou o prêmio de melhor instrumentista concorrendo com Amarante (eu sei que o irmão de Sandy, nem participou, foi só uma hipótese). O povo - leia-se a molecada teen - prefere “O Sol”, de Jota Quest que “O Vento”, de Los Hermanos. É isso ai....

Outra cena que confirma minha teoria sobre a injustiça da votação: Marjorie insossa Estiano tremula ao receber o prêmio de Revelação do Ano, ao lado de Danielle Susuki e do filho de Sandra de Sá. O palco tinha virado o set de Malhação. Em 2000, recém chegado ao mainstream, Marcelo Camelo ficou encabulado quando ganhou melhor canção com “Ana Julia”, tirando o prêmio das mãos do mestre Chico que concorria com “Carioca”. Viu do que essa garotada-joselita é capaz? Na boa, Marisa Monte não levou nem um prêmio. É nisso que dá fazer parceria com a velha guarda da Portela. Se para votar fosse exigida carteira de identidade original os resultados seriam bem diferentes não acham?


Categoria micos da noite:


Antes e depois. Sim, a da esquerda é Vanessa no início da carreira

Veneno de Julha
Eu não me conformo com a juba de Vanessa da Mata. Anti-Frizz nela! Além do cabelo mais bizarro, leva também o prêmio de refrão mais chato. Ui, ui, ui, que saco foi a apresentação. Voz que não se sustenta em apresentação ao vivo é isso ai. Coloca essa mulher de volta no camarim que esquecerem de escovar! Não consigo decifrar seu cabelo hippie-chic-root-black. É praticamente um protesto ambulante contra as escovas progressivas. Com um sacolejo de macumbeira, Vanessa estava eufórica. As duas vogais que se transformaram em “estouro” radiofônico, são a maior tormenta-chiclete de 2006! Ai, ai, ai como essa música é chata! Já li que outro blogueiro venenoso tem medo dela. Nelson Motta achou que ela seria a nova Marisa Monte, mas errou feio.

Agradecimento etílico
Produtores do clipe da Pitty quando subiram ao palco para agradecer lançaram as pérolas: “A gente é aquele que vomita no final da festa. É isso ai, vamo bebe!” com copo de whiskey na mão. Imagine a dupla underground soteropolitana na festa boca livre no MAM....

Vocalista preguiçoso, ops, pretensioso
Discurso de agradecimento dos mineiros do Jota Quest: “ De grão em grão, vamos recheando a pança”, falou um. “Policias honestos também merecem homenagem”, completou o outro. Alguém avisa pra ele que Papai Noel e Coelhinho da Páscoa não existem. Para piorar, o vocalista teve a pretensão de achar que a platéia do Municipal ia acompanhar com palmas e ainda cantar por ele o refrão-idiota: “E se quiser saber para onde eu vou... para onde tenha sol, é pra lá que eu vou”. Mas a pergunta que não quer calar: onde não teria sol? Tenha santa paciência.

Coroa funkeira dançou
Em 2005, a glamurosa quebrou tudo no intervalo. Esse ano, a equipe colocou no palco Suzana Vieira e MC Leozinho. Mas quando transformam o imprevisível em previsível, o resultado é chatice. Se na edição passada, deu uma bitoquinha em Bruno Gagliasso esse ano ela não se aventurou a beijar o funkeiro Leozinho. Bacana mesmo foi o Multishow lembrar que o funk também faz parte da multiplicidade musical verde e amarela.

Fantástico na terça?
Zeca Camargo, num casaco de couro “sujo” bege, foi dos poucos que demonstrou indignação diante da onda de violência em São Paulo. Mas será que ele inventou o texto na hora? Citou até música de Marisa Monte. Tentou dar o recado politizado, mas a voz embargou. Paulistão preocupado, com razão, com a situação crítica da cidade.

Didi X Lorena
Didi Wagner, ex MTV, fez seu début no Multishow. Estava insegura e tensa. Bom, vamos “dar tempo ao tempo”. Eu sou mais Lorena Calábria!

Improvisar é preciso!
A outra pitada MTV ficou a cargo de Fernanda Lima. Não bastou o mico que ela pagou na novela Bang-bang. Foi um fiasco quando ela teve que improvisar porque o palco para a apresentação de D2 atrasou. Porque será? O bamba do hip hop com samba podia apertar, mas não acender naquele hora. Fernanda, com cabelos frisados e bronzeadérrima vinda de Noronha (coisa que ninguém queria saber), não tinha nem jabá pra fazer. Com cara de tacho, mas linda assim mesmo, disse que não tinha nenhum projeto. Depois a atriz aguada Flávia Alessandra também teve que rebolar. Aliás, mostrar que também não sabe improvisar.


Estagiário preguiçoso é f***!
Foto da marcação de lugares no Municipal


Onde está Patrícia Marx?
A belíssima Letícia sobrenome complicado era grande demais para o microfone e o peito pequeno demais para rechear o tomara que caia vermelho. Da passarela para a novela, será que ela ainda vira cantora? De mulherão para mulherão, chamou Ivete Sangalo para receber o prêmio de melhor show. Esse ano, a baiana recém turbinada deixou de lado os usuais decotes profundos e apostou numa tomara que caia bem recheado. Chamou o namorado de “delícia”, fez careta, gracinha. Posso até não gostar do estilo musical dela. Mas o magnetismo é indiscutível! Mas Ivete romântica? O furacão do carnaval cantando “quando a chuva passar” no Municipal me lembrou Patrícia Marx com “se chove lá fora...”. Tem alguma coisa errada ai.

Bacana
Minha dica é reparar no segundo plano quando a simpaticíssima Fernandinha Torres (detalhe, para a intimidade forçada aqui, ok. Vamos prosseguir...) estiver na platéia. É engraçado ver o povo famosérrimo bocejando, cochichando... Abafa o caso.

Figurino e hairstyle
O Tony Garrido é uma unanimidade feminina. Mas dessa vez, “o negão de tirar o chapéu” se superou. De terno cru, corte seco, com blusa social branca e lenço com detalhes em vinho, levou o prêmio informal de melhor figurino masculino. Descobri que o vocalista do Cidade Negra chama Lulu Santos carinhosamente de “lux”. ( que aliás, levou o de pior figurino). O negão do reggae também é fashion. Esqueça aquelas imagens medonhas dos primeiros clips com calças bali cintura alta. Isso é passado. Ivete também derrapou em conjuntinhos(ui!) cor púrpura no início da carreira. Meu, alguém pode processar o cabeleireiro do japinha, baterista do COM 22? Mano, o que são aquelas mechas? Se liga!

Melhores momentos
3.Brasileirinho tocada pelo coroa no flautim e o cabeludo na guitarra. Traduzindo: Altamiro Carrilho e Andreas Kisser
2.“Batalha” de Fernandinho Beat Box com o elétrico Jair Rodrigues. Todo mundo fez aquela mãozinha idiota ao som de “Deixa que digam que pensem que falem, deixa isso pra lá, vem pra cá, o que é que tem?”.
1. Zeca, Caetano, Tony, Negra Li e Tico Santa Cruz cantando "Tropicália", em homenagem aos 40 anos do tropicalismo. O show traduziu a intenção da festa.

Implicância repetitiva derradeira
Vanessa da Mata tem seu valor. Nos mostrou que bons refrões com vogais não são exclusividade de hit’s de verão em Porto seguro nos anos 90. Quem lembra do clássico. “Ae, ae, ae, ae, e, e, e, e, ô, ô, ô, ô, ...? Eu lembro!


Aciolly sábado no Skol Beats (esq.) e terça no Prêmio Multishow(dir.)
com figurino repetido: mesmo casaco, mesma mulher.
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Escrito por JULIA ALVES RIBEIRO null em 18/05/2006
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  07/05/2006


Os 50 piores álbuns de todos os tempos e os dez mais toscos

"A ‘Q’, uma respeitada revista inglesa, decidiu listar os 50 piores discos de todos os tempos . Abalou o ego de muita gente e enfureceu fãs. Não acreditei quando li Lauryn Hill com o MTV Unpugged 2.0!

Esse faz parte da minha lista dos dez cd’s que eu levaria para uma ilha deserta. Bom, seguem os que eu deixaria por aqui mesmo. Admito que alguns fazem parte da minha coleção pessoal. Nem queiram imaginar quais. Não se intimide, vasculhe você também seu baú de recordações musicais. Bregas, coletâneas inúteis, duplos que você ganhou e nunca abriu, os "promocionais" de 9,99... Vale tudo!

1. Kid Abelha Remix (prefiro nem comentar)
2. Music from the motion picture Evita (Antônio Banderas é inviável)
3. Despedida de Solteiro Internacional (ele simboliza todos os Cd’s de novela)
4. O único Cd de Jordy ( não lembram de “C’est dur dur d’etre bébé” e “Alison”?)
5. Era Uma Vez... Sandy & Junior – Ao Vivo
6. Jorge Vercilo Perfil
7. O som dos pássaros
8. Instrumental dos sucessos de Whitney Houston (para quem adora uma karaokê, mas não tem DVD! )
9. Músicas para Amar II– Coletânia FM O Dia (ele existe eu juro!)
10. The best of Chiclete com Banana ( existe!? Se não, ainda bem!)
11. Pode escolher à vontade (Isso não é um título de CD. É democracia blogueira. Vote no seu CD tosco predileto)."

Leia o artigo completo Listas bizarras, CD’s empoeirados e polêmicas à vista na coluna Batida Carioca!
Escrito por JULIA ALVES RIBEIRO null em 07/05/2006
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  01/05/2006
Overdose de humor tarja preta


Impulsos irrefreáveis, reações emocionais exageradas e problemas de coordenação motora. Acabei de ter uma overdose. A atriz Sônia Braga estava ao meu lado. Aconteceu no Leblon de Manoel Carlos. Para ser mais exata: Sala Marilia Pêra, fila D, cadeira 13. Disseram que “Rir é o melhor remédio” e eu não vou contrariar, até porque o médico mandou. E é mesmo. É o melhor remédio para alma. Não é receita de vidente, mas faz milagres. Emagrece, rejuvenesce. E claro, com você magra e gata, o bofe-amado acaba voltando em três dias.



A peça Cada um com seus pobrema, com Marcelo Médici é uma catarse coletiva. Na platéia, gargalhadas descontroladas e risos histéricos. No palco, humor negro, corrosivo e deliciosamente sarcástico (me desculpem moradores de Caxias, manos corintianos, gordas de cabelo ruim, atores frustrados, surfistas monossilábicos e paulistas metrosexuais).

O ator, que é conhecido como o açougueiro-gago de Belíssima, foi um dos primeiros participantes da comédia paulista Terça Insana e também assina o texto. Estou longe (bem longe...) de ser a Bárbara Heliodora, mas acho que Marcelo Médici é a grande revelação do humor brasileiro.



Confesso que sou viciada. De “comédia-cult” de Woody Allen à escatologia cômica de American Pie. Pode ser cinema ou TV, mas no teatro é muito mais gostoso. Minha última crise de risos foi com Homens são de Marte e pra lá que eu vou... que narra as hilariantes aventuras amorosas de uma mulher na faixa dos trinta. Porém, minha overdose de gargalhada clássica foi em Cócegas. Cheguei a assistir três vezes no teatro, além de incontáveis vezes em DVD. Chegando ao deprimente ponto de decorar uma seqüência de falas e ficar rindo da piada antes mesmo dela ser contada. Todo mundo tem problemas sexuais e Os Ignorantes com Pedro Cardoso também fazem parte da minha memória de viagens psicodélicas através do riso.

Recentemente vi Nós na fita, Surto e o fraquinho Alta Tensão (com direção displicente de Heloísa Perissé). A comédia besteirol do trio namora com o formato televisivo engessado e previsível (estilo comédia-chula de Zorra Total e do tosco A Praça é nossa). Cada um com seus pobrema faz rir de uma forma visceral. No melhor estilo do TV Pirata. A fórmula batida de esquetes bem-humoradas-sobre-o-cotidiano gerou seu filho pródigo.

Médici conseguiu produzir um tipo de stand–up comedy sofisticado. Com narrativa. Isso mesmo, comédia besteirol, com direito a início, meio e fim. O monólogo é capaz de produzir uma espécie de metalinguagem dentro da metalinguagem. Ihhh, parece papo de professora chata de literatura? Traduzindo... é uma peça que fala de uma peça dentro de outras peças. Ai meus deus, me confundi. Mas quando vocês assistirem vão entender do que estou falando.

“Um ator desiste de se apresentar e começa a contar sua vida para a platéia”, linhas que pseudo-definem o espetáculo no tijolinho do jornal:. “Mas não é só isso!”, como diriam as propagandas dos produtos Tabajara. É humor desbocado, inteligente, desconcertante. Faz rir, mas faz pensar também. Foge das piadas óbvias e recria os clichês cômicos. Surreal e hilariante. Gastei os melhores adjetivos para uma resenha teatral, mas toda a verborragia é válida.

Fiquei revoltada quando disseram que acabou. Queria gargalhar mais alguns minutos. Só mais um risinho. A última piada, por favor. A sessão acabou meia-noite, já são três da manhã e os sintomas de abstinência teatral estão batendo. Quero mais uma dose. Bom, o jeito é comprar ingresso para semana que vem.

ATENÇÃO: "A peça ainda fica maio em cartaz, contrariando os jornais", avisou orgulhoso o ator no final da peça, com os olhos lacrimenjantes agradecendo a preseça da eterna Gabriela na platéia.

Outras sugestões para certeiras crises de riso:
Humor hoje: Pânico da TV. O subversivo quadro “Do lixo ao luxo”, com o Mendigo e o Mano Quietinho
Humor ontem: DVD Fantástico 30 anos - Humor. Pedro Cardoso e Luis Fernando Guimarães interpretando jornalistas cobrindo baile de carnaval...
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Escrito por JULIA ALVES RIBEIRO null em 01/05/2006
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Esse aqui é o tal de brog que a Dona Julha vive falando. Minha patroa é jornalista e me pagou um curso de informática em Copacabana. Quando estiver de folga, vou pegar uns textos e rascunhos dela e colocar aqui procês.

Beijo no coração, Creide.
 
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